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22

Set

2017

D. António Francisco dos Santos | Pastor à imagem de Cristo

A Sé do Porto foi pequena para acolher a multidão que quis participar nas solenes exéquias do bispo daquela diocese, D. António Francisco dos Santos, no dia 13 deste mês. Para lá dos muitos fiéis da nossa diocese, ali estiveram várias dezenas de sacerdotes do nosso presbitério, bem como D. António Couto e D. Jacinto Botelho.

No final da cerimónia, já sem paramentos, quando passávamos por entre a multidão aglomerada no adro da Sé do Porto, uma senhora dizia: “Fizeram bem em usar cores brancas. Ele era um santo!” E outros comentários se puderam ouvir, provindos daquela gente anónima que não arredou pé e foi ficando para agradecer a vida e a missão do Pastor que viam partir tão precocemente.

A Sé abriu as portas às 14h e logo os seus bancos se encheram com representantes de instituições diversas, centenas de sacerdotes vindos de várias dioceses, diáconos, seminaristas, grupo coral… Perto do altar lá se encontrava a urna com os restos mortais deste nosso ilustre conterrâneo, ladeada por familiares. O coro e a orquestra ultimavam os preparativos e logo se ouviram trechos do “Requiem”, de Mozart. Vários ecrãs, dentro e fora da Sé, possibilitavam visualizar e acompanhar as cerimónias que começaram à hora prevista, 15h, não sem antes vermos entrar o Presidente da República, o Primeiro Ministro, alguns líderes partidários, deputados e outros intervenientes na vida nacional e local.

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13

Set

2017

Homilia de D. Manuel Clemente no funeral de D. António Francisco dos Santos

Irmãos caríssimos

Surpreendido ainda pelo súbito falecimento do Senhor D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto, nosso irmão e amigo, correspondo à indicação que me foi feita para presidir a esta Santa Missa Exequial.

Com simplicidade e emoção o faço. Longos anos de amizade, a coincidência de idade e de percurso eclesial, tudo me aproximou do Senhor D. António Francisco, em muitos encontros institucionais e pessoais, projetos e desafios das nossas missões e tarefas. Sempre nele encontrei disponibilidade e competência, além da muita estima recíproca.

Num momento como este, são muitas as palavras possíveis, como aliás têm sido proferidas por grande número de pessoas da Igreja e da sociedade, não faltando o depoimento de altas figuras da vida nacional e local. Todas aliam sentimentos de admiração e já saudade pela grande figura pessoal, eclesial e social que entre nós viveu e verdadeiramente conviveu, pois grande e marcante era a sua capacidade de estar com os outros e, ainda mais, de estar para os outros.

Assim sendo, continuará connosco pelo que de si mesmo nos ofereceu e passou a integrar também. Se, em boa parte, somos o que os outros nos fazem ser, grande vantagem foi – e motivo de ação de graças agora – termos podido desfrutar da presença, da palavra, da grande generosidade do Senhor D. António Francisco. Os homens bons são a garantia do mundo, os bons pastores são a glória da Igreja.

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12

Set

2017

Falecimento de D. António Francisco | Mensagem de D. Jacinto Botelho

Os parabéns que o Senhor D. Serafim me dava na manhã do dia 11, eram como uma anestesia para a dureza e crueldade da notícia que me transmitia a seguir. Pausadamente foi-me dizendo à medida que a ansiedade crescia dentro de mim: Morreu o Senhor Bispo D. António Francisco dos Santos. Fiquei sem palavras e completamente desorientado. Ocorreu-me de repente o conselho de um grande amigo: “Diz devagarinho, como que saboreando, esta oração forte e viril: «Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e armabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas – Amém. Amém». Eu te asseguro que alcançarás a paz.” (Caminho,691)

Vi o Senhor D. António no sábado passado na TV Angelus em Fátima na peregrinação da Diocese do Porto a partilhar Graça e Felicidade como era a sua maneira habitual de conviver. Que o Senhor converta em Bênção a tremenda dor em que esta perda nos mergulha.

 

+ Jacinto, bispo emérito de Lamego

 

11

Set

2017

D. António Francisco dos Santos | Missa Exequial e 7.º Dia

 

11

Set

2017

Mensagem de D. António Couto sobre o falecimento de D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto

 

NA ENTRADA NA CASA DO PAI DO MEU IRMÃO NO EPISCOPADO E ILUSTRE FILHO DA NOSSA DIOCESE DE LAMEGO, D. ANTÓNIO FRANCISCO DOS SANTOS

 

1. «Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo 15,16). Sim, escolhidos desde antes do seio materno (Jr 1,5), desde antes da criação do mundo (Ef 1,4). E acrescentemos, sempre guiados pela Escritura Santa, aberta e lida, desde sempre escolhidos, amados, predestinados, agraciados, redimidos, mortos, sepultados, ressuscitados, vivificados, glorificados (cf. Rm 6,1-11; Cl 2,12-13), para sermos «filhos no Filho», filiação divina (hyiothesía) por graça recebida (cf. Rm 8,15-16; Gl 4,5; Ef 1,5; Gaudium et spes, n.º 22), feitos semelhantes a Deus e vendo-o como Ele é (cf. 1 Jo 3,1-2), que constitui o verdadeiro cume da vida dos filhos de Deus, em sentido muito explícito, denso e misterioso. De maior e de mais belo, não há nada. A nossa maneira de viver e de fazer não é o corolário da visão de Deus; é a própria visão de Deus. A ética é uma ótica.

 

2. Deixem-me registar aqui um bocadinho de diário. Ainda há oito dias atrás, Dia de Domingo, 03 de setembro, estivemos juntos, na Igreja Matriz de Armamar, na celebração das bodas de ouro sacerdotais do Sr. P. Artur Mergulhão. Na viagem de regresso, ao final da tarde, de Armamar para o Porto, o Sr. D. António Francisco teve a amabilidade de fazer uma paragem e passagem pelo Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (Padre Américo), para visitar a minha irmã, que lá se encontra internada há mês e meio, deixando-lhe palavras de conforto simples e afável. Registo este acontecimento de profundo sabor humano e cristão, que traduz bem o modo de ser do Sr. D. António Francisco.

 

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