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30

Jun

2017

À conversa com os futuros sacerdotes: Ângelo, Diogo e Luís

Para os nossos leitores, quem sois vós?

 

Ângelo: “Porque eu sou, junto de Vós, um peregrino, um caminhante como os meus antepassados” (Sl 38,13). Um peregrino em rumo à pátria do amor trinitário. Frequentei o Seminário Maior de Lamego durante seis anos (2009-2015). No período de 2015-2016 fiz uma paragem para uma etapa diferente no percurso vocacional. Durante esta etapa estive ligado a uma Organização Não-Governamental de inspiração cristã, chamada Leigos para o Desenvolvimento.

 

Diogo: Bem, penso que nós não somos os melhores a falar de nós mesmos... Sou um diácono, natural de um lugar chamado Mazes, pertencente à Paróquia de S. Miguel de Lazarim. Depois de ter frequentado os Seminários da nossa Diocese, estou a fazer o estágio pastoral com o Pe. Bráulio Carvalho e o Pe. Jorge Giroto, nas Paróquias de Alvite, Leomil e Sever. E, juntamente com dois diáconos da nossa Igreja de Lamego, preparo-me para a Ordenação Presbiteral.

 

Luís: Sou aquele menino que cresceu junto às águas do Távora, em Vila da Ponte. Sou aquela criança irrequieta que nem sempre se portava bem na catequese mas gostava muito de vestir a alva e ajudar o Senhor Padre na Missa. Sou aquele adolescente aventureiro que encontrou no Seminário de Resende uma nova casa. Sou aquele Jovem Sem Fronteiras que sempre procurou “estar perto dos que estão longe, sem estar longe dos que estão perto”. Sou aquele estudante de teologia… seminarista… filho… amigo… diácono… discípulo-missionário… embalado pelo Amor de Deus.

 

 

Como tem sido o teu estágio pastoral?

 

Ângelo: Um tempo de transição entre um tempo de formação mais ad intra que é o Seminário para um tempo mais ad extra que é a presença nas comunidades. Um tempo de integração progressiva na vida pastoral, no relacionamento com os padres (principalmente do arciprestado de estágio) e com os leigos tendo um maior compromisso pastoral que até esta fase não tinha.

 

Diogo: Tem sido muito positivo. Pela equipa sacerdotal, que é jovem e dinâmica, e pelas paróquias que servem. Apesar de conhecê-las antes de realizar o estágio diaconal, é muito diferente o contacto diário, do contacto semanal. Além disso, as pessoas ensinam-nos muito, pela sua experiência de vida e pela sua experiência de fé, concretizada, no seu serviço, muitas vezes discreto, à Igreja.

 

Luís: O tempo de estágio pastoral na Paróquia de Santa Maria Maior de Almacave tem sido essencialmente uma oportunidade para aprender. Uma vez que praticamente todas as semanas surgem novos desafios, tenho tentando encontrar em cada um deles algo que, em breve, me possa ajudar a ser um “melhor” sacerdote. O contacto diário com o povo de Deus tem sido a maior riqueza deste tempo de estágio: conhecer as pessoas, as famílias, as histórias, partilhar a mesa, as alegrias e as tristezas…

 

A partir da experiência entretanto conseguida, como vês a formação recebida no Seminário e na Faculdade de Teologia?

 

Ângelo: A formação recebida forneceu as bases fundamentais para continuar a caminhar no aprofundamento do ministério presbiteral e na mensagem do Evangelho através da Teologia.


Diogo: A formação do Seminário é importante, mas naturalmente inacabada, porque a missão do Seminário é preparar e apontar para o trabalho pastoral, tal como Jesus preparou aqueles que andavam com Ele, antes de os enviar. Assim, o Seminário deve ser o tempo do encontro com Jesus, do crescimento da amizade com Ele. A formação recebida deve ajudar também a fazer crescer na fé e no amor a Jesus Cristo e à sua Igreja, para onde somos enviados a viver em missão do anúncio do Evangelho.

 

Luís: O tempo de formação é essencial. “Ninguém nasce ensinado”… sabemos bem! No geral, sinto na minha vida a importância de cada passo dado, cada ano de seminário, cada disciplina estudada. No entanto, nem sempre foi fácil compreender o porquê de algumas normas formativas do seminário ou vislumbrar automaticamente a “utilidade prática” de determinadas temáticas estudadas na Faculdade. Com o passar do tempo fui encontrando resposta para a maior parte dessas inquietações mas certamente existem alguns aspetos que devem ser alvo de uma reflexão profunda à luz do contexto atual.

 

Uma palavra para os nossos seminaristas e aos que estão a pensar entrar no Seminário?

 

Ângelo: “Quo vadis?” (Para onde vais?). Na sociedade de hoje as pessoas vivem de uma forma “desorientada”, não sabem realmente para onde vão (escatologicamente falando). Esta “desorientação” afeta a decisão vocacional, pois perdemos o sentido da vida e optamos por uma vida demasiadamente horizontalista e imanente. Já nos alertava Dostoievski “Precisamos em primeiro lugar de resolver as questões eternas”. Por fim, “Tem confiança, levanta-te Ele chama-te” (Mc 10, 49).

Diogo: Que não tenham medo, sobretudo, não tenham medo de serem uma minoria, porque quando Deus nos chama, chama-nos individualmente, e não está tão atento aos números como nós. Contudo, nós preocupamo-nos, como é natural, se somos poucos. Ainda assim, lembremo-nos que o Reino de Deus é como o grão de mostarda. Começa pequeno, mas pela bondade do Senhor, cresce e dá fruto. Não nos esqueçamos que a primeira comunidade de Jesus só tinha doze pessoas. Como estes primeiros discípulos, peço aos jovens de hoje que não tenham medo de aceitar o convite de Cristo. Não tenham medo, pois se Ele nos chama, nunca nos abandona!

Luís: Ao longo dos vários anos em que estive no seminário sempre gostei de me sentir acompanhado, principalmente pelos sacerdotes. Amigos, nunca estive sozinho… e nenhum de vós percorrerá este caminho sozinho! Contem comigo… Abraço.

 

in Voz de Lamego, ano 87/33, n.º 4418, 27 de junho 2017