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27

Set

2017

Romaria a Santa Eufémia de Penedono 2017

A festa litúrgica da Virgem Mártir Santa Eufémia decorre cada ano no dia 16 de Setembro. No seu Santuário de Penedono, a festa é precedida por uma novena preparatória que já tem uns quantos anos de tradição.

Neste ano de 2017, deu-se continuidade ao que então começou. A novena ficou ao encargo do P. Alcino Fraga, Missionário Redentorista, residente na sua comunidade do Porto. O objectivo dos dias da novena foi projectado pela equipa missionária constituída por Redentoristas de vida consagrada e por Leigos Redentoristas em formação para se tornarem Missionários Leigos do Santíssimo Redentor. Isto explica a vinda do P. Rui Santiago que assegurou a pregação dos idosos e no dia 17 na Eucaristia de encerramento das Festas. A presença dos Missionários Leigos do SSmo Redentor em formação, nossos parceiros de Missão, foi discreta e oportuna, sobretudo no dia em que se fez memória da Paixão e da morte Redentora de Jesus. No final, já dentro da Capela, intervieram e conduziram toda a assembleia a celebrar a Ressurreição do Senhor. Pelo testemunho que deram pela palavra e pelo canto fizeram vibrar a assembleia que com o coro local cantou as alegrias pascais. “É que nós não somos discípulos de um morto ilustre, mas de um Cristo Ressuscitado, Vivo e Glorioso” (P. Dário Pedroso, SJ).

Voltemos aos dias da Novena! O objectivo era fazer desses dias um tempo de EVANGELIZAÇÃO: redescobrir a pessoa de Jesus, recuperá-Lo para a nossa vida pessoal e comunitária; para responder à pergunta que Ele fez aos discípulos no caminho de Cesareia e que nos é feita a nós, seus discípulos deste tempo: “quem dizeis vós que Eu sou?”

 

Domingo – Via Sacra

 

Pelas 18h30 de Domingo, cerca de 70 pessoas, de todas as idades, caminharam em peregrinação orante, no espaço belíssimo e bem cuidado do Santuário de Santa Eufémia.

A própria aragem fresca, lá do alto, nos limpava os ouvidos para ouvirmos melhor o que ia sendo dito em cada uma das Catorze Estação, porque em cada uma delas estava à nossa espera um Mártir, homem ou mulher, um daqueles cujo nome sobressaiu da multidão incontável dos que SEGUEM atrás de Jesus e, por isso, também eles se dão a si mesmos. Até à vida! Até ao sangue.

MAS nenhuma daquelas vidas dadas estava ali para nos falar de morte. TODOS os nomeados nos falaram de uma única coisa - RESSURREIÇÃO! Ninguém dá a própria vida por um morto – POR UM RESSUSCITADO, SIM!

Todos aqueles mártires viveram na fé de um Deus, Pai de Jesus e Pai nosso, que não deixou que fosse posta uma pedra de esquecimento e tristeza sobre a Vida de Jesus de Nazaré, que não descansou enquanto não meteu a Sua mão de Bondade e Misericórdia na vergonha daquela morte dada por nossas mãos, para lhe dar a volta! E RESSUSCITOU Jesus, para Si e para nós, como quem diz, com todas as letras, alto e bom som, “É ASSIM QUE SE VIVE!”

É ASSIM que se vive dizem as vidas de TANTOS, hoje mesmo, pelos quatro cantos do mundo, onde, ser de Jesus, seguir-lhe a Vida e as pegadas não é coisa fácil. Temos notícias…

No Final, já na Igreja, isto foi redito, agora com palavras entusiasmadas e simples, por um dos Missionários Leigos do Santíssimo Redentor, em formação, que vieram do Porto, companheiros do Missionário Redentorista, pregador deste ano.

 

As festas conhecem-se pelas vésperas…

Como já foi referido, esta começou 9 dias antes, no dia 7 de setembro com a novena e a celebração às 18h30. De todos os lados foram começando a aparecer pessoas, ora de carro, ora a pé, ora mais velhas, ora mais novas e iam-se cumprimentando e saudando numa fraternidade visível. O coro ia ensaiando alguns acordes e afinando vozes. Tudo se preparava e se compunha para o início da celebração.

O Evangelho anuncia-nos que Jesus é baptizado. Que o próprio Jesus nasceu de novo e Deus o assumiu como seu Filho. O pregador sublinha esta filiação, extensível a todos nós. Começa um percurso com Jesus, centrado na sua humanidade. No dia seguinte, o Evangelho levou-nos ao deserto, ao lugar de discernimento e opção de Jesus. A opção pelo que tem futuro. E o percurso foi continuando ao longo da semana, todos os dias, descobrindo os traços deste Homem Jesus onde também St Eufémia foi beber a sua Fé.

 

Quarta-feira – A peregrinação da Terceira idade…

O programa indicava que, na 4ª feira, dia 13/9/2017, o Santuário de Santa Eufémia, em Penedono, conheceria uma peregrinação da terceira idade. Eram muito mais de seiscentos idosos, acompanhados de pessoas que delas cuidam nas instituições. Estas, de vários concelhos próximos de Penedono, eram trinta e nove.

Na homilia, ou na pregação como por ali se usa chamar, o Padre Rui Santiago conseguiu captar a atenção da assembleia e levar as palavras do Evangelho ao coração das pessoas, usando a experiência das suas vidas e o trabalho cuidado das videiras para, com essas metáforas, melhor se entender o que Jesus ensinava aos seus discípulos.

Quanta alegria naquelas vidas tão vividas …?! Quanta força e vontade de viver, apesar das dificuldades que idade provoca …?! Quanto carinho e dedicação dos cuidadores …?! Quanto perfume de amor fraterno se respirou nesta tarde …?! Quanta vontade sentiram os missionários redentoristas, consagrados e leigos, de voltarem a este local de missão …?! Os muitos presentes, expressamente, manifestaram o desejo que os redentoristas lá voltassem.

 

Eucaristia de Sexta-feira à noite o começo da festa…

Pelas 21H entravamos nas festividades de St. Eufémia com uma Eucaristia na esplanada do santuário. Mais um grande momento celebrativo, e nem o frio afastou os peregrinos, ali se detiveram encantados com a pregação deste Missionário Redentorista.

Desta vez a pregação incidiu sobre a necessidade de nos tornarmos comunidades vivas pois ninguém consegue chegar a uma Fé fecunda sozinho. Só com os outros é que nos entendemos encanto pessoas. St. Eufémia não era diferente, a perseverança que lhe conhecemos resultou da vida comunitária que tinha. Sim, ela tinha companheiros, amigos e juntos formavam uma comunidade de cristãos. Só assim faz sentido, só assim é possível suportar os momentos de sofrimento a que se sujeitam todos os mártires. Só assim Jesus se entendia. Não é por acaso que Ele próprio antes de começar a sua vida missionária chama uns quantos (dizem que eram 12) e formou uma comunidade de discípulos para o acompanhar.

 

Sábado, o grande dia da festa chegou…

Nem a hora matutina, nem o frio matinal afastou os peregrinos do Santuário, onde pelas 9h30 se celebrou a Eucaristia. O recinto ia-se compondo, as vozes dos feirantes iam-se silenciando para dar lugar à Palavra proclamada e ao louvor da assembleia. A Eucaristia foi presidida pelo pe. Luciano, e a pregação ficou a cargo do pe. Fraga cssr que deu testemunho de Jesus, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, e falou da inspiração de Santa Eufémia, na importante proclamação dogmática da divindade e humanidade de Jesus, qual bússola que nunca deixa de apontar para o Norte.

Entre as 11h e as 12h, houve espaço para confissões, e alguns peregrinos encaminharam-se para o abraço perdoador e misericordioso do Pai de Jesus que sempre acolhe quem para ele corre.

A seguir ao almoço, um santuário “à pinha” acolheu o Bispo emérito de Lamego que veio presidir à grande celebração da festa. De diapasão afinadíssimo para Jesus, lembrou sem cessar o caminho das Bem-aventuranças como caminho de santidade e fez o apelo para que sempre nos aproximemos mais e mais da Palavra de Deus que nos releva o Rosto límpido de Jesus. Citando o Papa Francisco, lembrou os peregrinos de duas tentações igualmente perigosas: uma cruz sem Cristo, que transforma a vivência jubilosa da fé numa via-sacra constante; e um Cristo sem cruz, que nos demite da aproximação dos pobres, dos que sofrem, e daqueles com quem o próprio Cristo se quis identificar.

Seguiu-se a procissão. O Bispo tinha dado o mote: “façamos da procissão um sinal de seguimento de Jesus. Vamos atrás dele, como vai a Virgem Mártir Santa Eufémia e todos os santos. E num ambiente festivo de uma procissão, possamos encontrar também o silêncio necessário para a meditação”. E assim foi! Até ao recolher do último andor!

 

Já é Domingo? Nem queriam acreditar…

Foram dias intensos estes vividos no cimo deste monte. Mas somos cristãos batizados e por isso temos um mandato de missão. Temos de ir… o mundo precisa! E foi pelas 4 da tarde (hora dos grandes chamamentos) que se celebrou a Eucaristia do envio… Não chamemos Eucaristia do encerramento, mas Eucaristia do envio! Porque na vida de um cristão não há lugar para encerramentos, mas sim para nascer de novo e para abertura constante aos outros.

E nada melhor para um envio do que nos colocarmos atrás Dele, de Stª Eufémia e de todos os Santos que por Ele viveram. Foi o momento da procissão. Era o momento de partir cada um para a sua terra, para sua casa para o seu trabalho… centenas de pessoas que subiram aquele monte era agora a hora de voltar… voltavam aos mesmos lugares, mas nenhum daqueles ia igual porque é no cimo do monte que acontecem as grandes mudanças…

 

in Voz de Lamego, ano 87/44, n.º 4429, 26 de setembro 2017