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Encerramento do Ano Jubilar

Homilia de D. António na Festa da Sagrada Família

FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

1. No dia 29 de dezembro do ano passado, 2024, Festa da Sagrada Família, abrimos solenemente o Ano Jubilar Ordinário 2025. E hoje, dia 28 de dezembro de 2025, em que também celebramos a Festa da Sagrada Família, procedemos ao encerramento deste Ano Jubilar Ordinário. Como a celebração do Ano Jubilar Ordinário ocorre de 25 em 25 anos, o próximo Ano Jubilar Ordinário terá lugar daqui a 25 anos, em 2050.

2. É, porém, minha convicção que, no próximo ano de 2033, o Papa proporá certamente à Igreja um Ano Jubilar Extraordinário para celebrar os 2000 anos da Redenção, no seguimento do Jubileu Extraordinário dos 1950 anos da Redenção, celebrado em 1983, proclamado pelo Papa S. João Paulo II, e do Jubileu Extraordinário dos 1900 anos da Redenção, celebrado em 1933, proclamado pelo Papa Pio XI, um e outro sem entrarem na questão da data precisa em que terá sido crucificado o Senhor, como consta nas Bulas de Proclamação dos dois referidos Papas.

3. De Jubileu em Jubileu, de Ano Litúrgico em Ano Litúrgico, Domingo após Domingo, é sempre Cristo Senhor que celebramos e nos alimentamos da torrente infinita da sua Graça, «Graça sobre Graça», como escreve acertadamente S. João no prólogo do seu Evangelho (1,16).

4. Encerramos hoje o Jubileu da Esperança, um ano dedicado à Esperança sem medida, ao Dom da Esperança, aquela Esperança que não podemos produzir. Que só podemos receber de Jesus Cristo. S. Paulo escreve de forma perfeita aos Romanos: «O dom de Deus (tò chárisma toû theoû) é a vida eterna (zôê aiônios) em Cristo Jesus, o Senhor Nosso» (Rm 6,23). Dom mesmo, dom por excelência, sem contrapartida humana, que chega até nós através da morte e da ressurreição de Cristo Jesus. S. Paulo ajusta a sua vida à «esperança da vida eterna» (elpìs zôês aiôníou) (Tt 1,2; 3,7), isto é, à «esperança que é a vida eterna», «esperança viva» (elpìs zôê) que brota da Ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, como afirma S. Pedro (1 Pe 1,3). A esperança verdadeira, esperança mesmo, não pode ser um produto da nossa fábrica, que pode entrar no domínio dos simples calculismos ou lícitas expectativas. Nas palavras de S. Paulo, «esperança que se vê não é esperança» (Rm 8,24). Esperança mesmo salta fora das nossas medidas e calculismos; vem de Deus, dom de Deus, e chama-se vida eterna.

5. Ao longo deste Ano Jubilar, a Graça ou o Dom da Esperança chegou até nós por múltiplos caminhos: peregrinações, Palavra de Deus, sacramentos, reconciliação, oração, caridade, perdão, experiências de familiaridade, de filialidade e de fraternidade. O Dom da Esperança chegou até nós por múltiplos caminhos, todos brotando de uma única fonte: Jesus Cristo.

6. Caríssimos irmãos e irmãs, atravessamos ainda a Solenidade do Natal do Senhor, dado que esta Solenidade se prolonga durante oito dias (Oitava) até à Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, que se celebra no primeiro Dia de Janeiro e do ano inteiro.

7. O Natal do Senhor põe diante do nosso olhar contemplativo uma Família humilde e bela, Jesus, Maria e José, mas traz também consigo uma forte sensibilidade Familiar, tornando-se o tempo forte da reunião festiva das nossas Famílias. Estes dois acertos (um olhar contemplativo para a Família de Nazaré, e a reunião festiva das nossas famílias) são importantes para se compreender a razão pela qual, no Domingo dentro da Oitava do Natal, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José. E mesmo quando não exista nenhum Domingo entre o Natal e o Ano Novo, o que acontece quando o Natal e o Ano Novo caiem ao Domingo, a Festa da Sagrada Família celebra-se no dia 30 de dezembro. Quer isto dizer que não podemos deixar de celebrar a Família de Nazaré, e que também não podemos deixar de refletir sobre as nossas famílias, sobretudo neste tempo em que a família sofre sucessivos ataques ideológicos e se nos deparam tantas famílias desconstruídas.

8. Os textos da Liturgia são outra vez preciosos. O Evangelho põe no nosso coração os últimos episódios do Evangelho da Infância segundo S. Mt (2,13-15.19-23), habitualmente conhecidos por «Fuga para o Egito» e «Regresso do Egito à Terra de Israel». Na inteireza do texto que Hoje, por graça, nos foi dado ler e escutar, vimos e ouvimos por cinco vezes a extraordinária e significativa locução «o Menino e a sua Mãe» (tò paidíon kaì tên mêtéra autoû) (Mt 2,11.13.14.20.21), mostrando entre os dois uma unidade inseparável. A expressão, fortíssima, surge no contexto de uma missão por duas vezes confiada em sonhos a José pelo Anjo do Senhor, para que «tome consigo o Menino e a sua Mãe» e procure refúgio no Egito, ou que do Egito volte para a Terra de Israel, o que José executa pronta, atenta e silenciosamente, «tomando consigo o Menino e a sua Mãe», e encaminhando-se diligentemente para os destinos indicados. Esta forte vinculação do Menino à sua Mãe, e dos dois a José, que os deve tomar consigo e a seu cargo (paralambánô) traduz bem a união familiar que hoje, Dia da Sagrada Família, se celebra.

9. Dentro da temática da Família, o Antigo Testamento traz-nos hoje um extrato sapiencial retirado do Livro de Ben Sira (ou Eclesiástico) 3,2-6.12-14, que nos convida ao amor dedicado aos nossos pais sempre, para que o Senhor ponha sobre nós o seu olhar de bondade. Importa ainda considerar, em termos familiares, que este belo Livro Bíblico foi escrito em hebraico por um velho pai de família, que o deixou guardado na gaveta, aí pelo ano 180 a.C. E, por lá ficou guardado e esquecido, até que, cinquenta anos mais tarde, aí pelo ano 130 a.C., um seu neto o descobriu e o leu e admirou, e achou cheio de tanta riqueza que resolveu traduzi-lo para grego, para que muito mais gente pudesse ter acesso aos tesouros de sabedoria nele contidos. Sublime admiração e comunhão familiar entre as gerações.

10. Finalmente, o Apóstolo Paulo, na Carta aos Colossenses 3,12-21, exorta esposos, pais e filhos ao amor mútuo, mostrando ainda de que sentimentos nos devemos vestir por dentro e de que música devemos encher o nosso coração. Salta à vista que a bondade, a humildade, a mansidão, a longanimidade, o amor, o perdão, são vestidos importantes para a festa, mas não se compram nem se vendem por aí em nenhum pronto-a-vestir! Nesta época de tanto consumismo, convém que nunca nos esqueçamos de Deus, pois é Ele, e só Ele, que sabe vestir carinhosamente o coração dos seus filhos.

Igreja Catedral de Lamego, 28 de dezembro de 2025, Domingo, Festa da Sagrada Família e Encerramento do Jubileu Ordinário da Esperança 2025.

+ António, vosso bispo e irmão

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