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Igreja Catedral - Presente e futuro

Desde o início do ano que vemos andaimes erguidos à volta da torre e na fachada da Sé. No interior há obras em andamento na Capela do Santíssimo Sacramento e no Coro Alto. Como no dia 20 de novembro celebramos o aniversário da Dedicação da Catedral, ocorrido no ano de 1776, achámos que seria oportuno dar a conhecer ao Povo de Deus da diocese de Lamego, de que a Catedral é a Igreja-mãe, o que está a ser feito atualmente e quais as perspetivas de futuro. Fomos ter com o Cónego José Ferreira, membro do Cabido da Catedral e Pároco da Sé, para nos facultar as desejadas informações.

VL – Em que pé estão as obras a decorrer na Sé?

JF – Por feliz coincidência tenho a alegria de anunciar que, na semana passada, ficou concluído o restauro da Capela do Santíssimo Sacramento. O Coro Alto já poderia estar pronto. Mas as peças que foram restauradas na oficina da empresa só poderão ser colocadas no local quando estiverem terminados os trabalhos na fachada. Quanto às obras na torre e fachada a estimativa é que estarão concluídas ainda dentro do primeiro trimestre de 2021. Se não fosse a pandemia estava previsto que tudo estivesse pronto no fim do Verão passado.

VL – Que intervenção é que estão a fazer na torre e fachada?

JF - São, sobretudo, trabalhos de consolidação e limpeza.

VL – Como é que estas obras estão a ser financiadas?

JF – Em 2008, o governo português, ciente da crescente importância cultural e económica do turismo religioso, implementou um programa chamado “Rota das Catedrais” em conjunto com a Conferência Episcopal Portuguesa. Este programa, financiado a 85% com fundos europeus, contempla, por um lado, a divulgação e publicidade sobre o conjunto das catedrais e, por outro, obras de conservação e restauro. Houve uma primeira fase de execução destes trabalhos e, agora, estamos na segunda. Na primeira fase, fizemos, aqui na nossa Catedral, o restauro das Capelas dos Claustros e a requalificação da zona da sala capitular e da secretaria da paróquia. As obras que estão a decorrer agora fazem parte da segunda fase da Rota das Catedrais. A comparticipação é de 85%. Os restantes 15% são pagos a meias entre o Cabido e a Paróquia, de um lado, e a Direção Regional da Cultura, do outro.

VL – A nova mesa do altar e o presbitério também fizeram parte deste plano?

JF – Não. Foram inteiramente pagos pelo Cabido e pela Paróquia. De todo o modo, a iniciativa também foi nossa.

VL – Haverá mais obras no futuro próximo, porventura numa terceira fase da Rota das Catedrais?

JF – Não se sabe se haverá uma terceira fase. Além do mais foram precisos 12 anos para a realização destes trabalhos. Todos sabemos que não podemos estar à espera que o Estado faça todas as obras. Por isso, vamos avançar, a expensas do Cabido e da Paróquia, com o restauro dos altares. Aliás, já arrancaram, na semana passada, as obras de limpeza e restauro do altar-mor, incluindo a tela com a pintura de Nossa Senhora da Assunção. Começámos por este altar para poupar dinheiro em andaimes. É que, sendo o mais alto de todos, pudemos fazer um melhor aproveitamento dos andaimes que estavam na Capela do Santíssimo. E há outro projeto que vai avançar de imediato: a colocação de frontais em madeira, pintura marmoreada e talha dourada nos quatro altares das naves laterias e em dois do transepto. Claro que todos os trabalhos terão o aval e o acompanhamento técnico da Direção Regional da Cultura. Se, Deus o queira, houver uma terceira fase de trabalhos na Rota das Catedrais não faltará onde gastar o dinheiro: iluminação, rede elétrica, telhado, paredes, etc...

VL – Tem alguma estimativa temporal para a execução destes trabalhos?

JF – Até à Páscoa, a não ser que a pandemia o não permita, contamos ter toda a Capela-Mor restaurada. É que, terminado o altar, pretendemos seguir com o restauro dos dois órgãos de tubos (estou a falar apenas da estrutura) e dos cadeirais. Quanto aos frontais, espero que estejam prontos na mesma ocasião.

VL – E como vão pagar tudo isso?

JF – Já temos dinheiro para o altar-mor e os frontais dos altares laterais e do transepto. E algum para o restauro dos órgãos de tubos e cadeirais. Depois, vamos continuando de acordo com as possibilidades, altar a altar. Não gostaríamos, porém, de interromper os trabalhos. Se isso fosse possível creio que em dois anos e meio, teríamos os altares todos restaurados. Tudo dependerá da generosidade dos fiéis.

VL- Está a pensar na comunidade cristã da Sé?

JF – Não só. É óbvio que contamos, sobretudo, com aqueles que frequentam mais a Catedral. Paroquianos da Sé e outros fiéis da cidade e arredores. Devo, até, reconhecer que é devido ao voluntariado dos leigos que a paróquia tem poupado muito dinheiro em recursos humanos. Mas, antes de servir como Igreja paroquial, a Catedral é a Igreja-Mãe de toda a diocese. Por isso, é de esperar que haja contributos de fiéis de outras comunidades.

VL – Tem uma estimativa dos custos desse empreendimento?

JF – O investimento global será da ordem dos 247.000€. Precisamos de mais 157.000€. É claro que estamos a falar de valores aproximados e na condição de os trabalhos não serem interrompidos.

VL – Não está demasiado otimista?

JF – Acho que não sou dos otimistas irritantes. Procuro ser realista. Tenho experiência das obras que se fizeram nas capelas da paróquia. Começava-se sem ter todo o dinheiro. Mas, vendo os trabalhos a avançar, o povo ajudava e as obras fizeram-se. Só na Igreja do Desterro a paróquia gastou cerca de 145.000€ para lá da comparticipação dos fundos comunitários. Todos os párocos têm esta mesma experiência. Além disso, não precisamos, já, de toda esta quantia. É para dois a três anos.

VL – Tem algumas ideias sobre o modo de conseguir a verba necessária?

JF – Pensei nalgumas sugestões. Por exemplo, uma pessoa, uma família, um grupo de amigos têm uma devoção particular por determinado santo, o santo homónimo ou Nossa Senhora. Poderá, nesse caso, entregar o donativo, em todo ou em parte, para o restauro da escultura desse santo ou de Nossa Senhora. Há 23 esculturas para restaurar. Dependendo, sobretudo, do tamanho, o restauro poderá ir dos 750 aos 1250 euros exceto a escultura de Nª Srª das Graças que terá um custo de 2.250€. Além das esculturas do Sagrado Coração de Jesus, de Nª Srª de Fátima, Nª Srª do Rosário, Nª Srª de Lurdes, há vários santos que estão nos altares e que gozam, entre nós, de uma grande devoção: S. José, S. Sebastião, Padroeiro da diocese, S. Pedro, S. António, S. Francisco de Assis, S. Martinho, S. Brás, S. André Avelino, S. Bento, Rainha Santa Isabel, S. Luzia, Santa Rita de Cássia...
Se houver alguém, uma família ou um grupo mais generoso poderá pensar na tela com a pintura de Nossa Senhora da Assunção, a quem é dedicada a Catedral, e cujo restauro terá um custo de 6.800€, ou na tela com a pintura do Arcanjo S. Miguel, no valor de 3.800€. Já cada altar ficará em média por 15.000€ exceto o de Nª Srª das Graças e o de S. Miguel que, por serem maiores, importarão em cerca de 24.000€.
Tenho, ainda, um apelo a dirigir às empresas. Fazendo um donativo para estas obras poderão obter benefícios fiscais ao abrigo da lei do mecenato. E prestarão um serviço social que não deixará de ser reconhecido por todos.
Finalmente, há outra forma de ajudar. Através de um empréstimo. Assim, não teríamos de parar as obras. O dinheiro não rende nada nos bancos. Em quatro ou cinco anos o Cabido e a Paróquia poderão reembolsar todos os empréstimos. Posso dizer que alguém já disponibilizou 25.000€ para quando for necessário.

VL – E não estão a pensar em ingressos pagos pelos que visitam a Catedral?

JF – Esse assunto já tem sido debatido em reuniões com o Sr. Bispo, o Cabido, a Paróquia e o Departamento da Pastoral do Turismo. Está tudo encaminhado para que isso venha a acontecer, pelo menos nas visitas aos claustros, ao coro alto e à torre.

VL – Uma última pergunta. Valeu a pena colocar os ecrãs na Sé, mesmo sabendo que não deixam de causar algum impacto na estética da igreja?

JF – Sem dúvida nenhuma. Quando, na paróquia, tomámos esta decisão, não deixámos de ponderar todas as suas implicações. Não podemos esquecer que as igrejas foram erguidas para serem, antes de mais, lugar de oração e de celebração. Por isso, é benéfico tudo o que possa favorecer a participação das pessoas. Ainda pensámos em colocar uma tela atrás do altar e que se poderia recolher a partir do teto. Mas era impraticável por causa da altura. Sempre que houvesse uma avaria em qualquer peça fixada lá no alto era preciso contratar uma empresa especializada em andaimes. Um ecrã de grande tamanho também não ficaria esteticamente bem quando usado nas celebrações. Por isso, optámos pelos ecrãs. Em boa hora. As Eucaristias são mais participadas. Com acesso à letra dos cânticos agora são muitos mais os que cantam. Em cada domingo há uma imagem e uma mensagem da Palavra de Deus que acompanha toda a Eucaristia e que, por isso, se assimila melhor. As informações chegam com mais eficácia às pessoas através dos ecrãs. E na Missa das 10h, com maior participação de crianças e jovens, são de grande ajuda para as homilias

VL- Cónego José Ferreira, resta-me agradecer estas informações e desejar sucesso ao Cabido e à Paróquia nesta empreitada.

JF – Obrigado. Tão belo legado que nos deixaram os nossos antepassados merece o empenhamento de todos.

 

in Voz de Lamego, ano 90/49, n.º 4584, 17 de novembro de 2020

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