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Nossa Senhora da Veiga, A pérola do Alto-Douro

Fitando nós na atualidade a fé e a devoção das gentes de Vila de Foz Côa, para com a Mãe de Jesus, que a aclamam sob a invocação de Nossa Senhora da Veiga. Conhecendo um pouco daquilo que foi o seu percurso histórico do mesmo, rapidamente a identificamos como uma joia da mais valiosa qualidade.

Mas que joia é esta? Pela sua caminhada e perseverança, estamos diante de uma pérola! A mais bela e valiosa de todas!!! Uma pérola que é Mãe/Amor!

As pérolas tantas vezes apelidadas de joias do mar, são pedras preciosas orgânicas que sempre fascinaram a humanidade. O seu brilho iridescente e elegância atemporal fazem delas um símbolo de beleza, riqueza e sofisticação ao longo dos tempos em todas as culturas e civilizações.
Estas valiosas pedras nascem do desempenho de defesa de certas espécies de ostras e mexilhões. Tais bivalves ao detetarem no interior das suas conchas corpos estranhos, como o é um simples grão de areia, ao sentirem-se feridos, começam a segregar uma substância chamada de nácar até os cobrirem na sua totalidade, numa clara ação de defesa das suas vidas pelo mau estar causado pela ferida que daí resulta. Disto se depreende que o processo de criação de uma pérola ocorre pelo sofrimento interior pelo qual passa o bivalve e que se pode arrastar por anos. Daí advém que qualquer um destes bivalves que não seja ferido, não produz pérolas, pois estas, não são mais do que uma ferida cicatrizada. Desta circunstância nasceu a máxima: ostra feliz não faz pérolas.  
Ainda que longe do mar onde nas suas sui generis conchas, estes animais aquáticos se podem encontrar, mas perto de um rio que para ele se direciona, nasceu e cresceu a mais preciosa das pérolas das terras do Alto-Douro: Nossa Senhora da Veiga.

... huma capela distante uma legoa desta vila ao pé do rio Douro, sita na Veiga, com título de Nossa Senhora da Veiga, cuja fábrica pertence ao abade desta freguezia, e antiguamente iam tomar posse da abadia àquela capela que por tradição se diz fora freguezia. É Senhora de muitos milagres e os moradores desta freguesia valem dela nas suas necessidades, principalmente no tempo de faltas de águas, trazendo-a com muita devoção em procissão para a matriz desta freguezia, aonde está nove dias em novena, e até o presente não consta que não alcançassem o que pediam. E muitas vezes tem sucedido, estando o tempo sereno, saindo a Senhora da capela para esta vila quando chegam a ela virem molhados em a muita chuva que de repente vem.

Deste belíssimo testemunho que nos legou, no ano de 1758, o abade de Vila Nova de Foz Côa, padre António Esteves Pereira (Memória paroquial), depreendemos os elos de ligação a Nossa Senhora da Veiga, diante de uma necessidade tão básica como o era a carência de chuva.
A água, na verdade a falta dela ou a necessidade de superar a sua força em movimento, parece-nos que foi desde as origens um dos grãos de areia que feriu as gentes das terras fozcoenses consolidando a evolução da pérola da Veiga.
A Santa Maria da Veiga se aclamaram os primitivos povoadores da Terra de Santa Maria. Pediam a chuva que fecundasse os campos de trigo e centeio que providenciariam a subsistência dos seus núcleos familiares. Do mesmo modo o faziam os viandantes que fluíam entre as margens do rio Douro, para que a mão da Mãe os amparasse na perigosa travessia se fazia pela barca cujo porto/cais estaria localizado nas proximidades da primitiva igreja paroquial de Santa Maria da Veiga.

Diante dos dramas que ferem todo o ser humano, as gentes fozcoenses encontraram na proteção de Maria santíssima, Nossa Senhora da Veiga o bálsamo para superar as adversidades da vida. As dificuldades de uma vida de trabalho e de sofrimento, na labuta de sol a sol, para retirar da terra o pão de cada dia quer na sua localidade natal ou nos países para onde tantos deles emigraram (Brasil, Venezuela, Canadá, Angola, Moçambique, França, Alemanha, Suíça etc). É na Senhora da Veiga que acham o apoio para superar as maleitas do corpo e da alma e a proteção para aquilo que foram as bases da sua subsistência, as culturas agrícolas, os seus animais ou nos trilhos de uma vida em movimento.

A Senhora da Veiga, emerge como a pérola que brota altiva e majestosa pelo nácar que sara as feridas dos seus devotos, suave bálsamo do amor de Deus para as gentes deste Douro vinhateiro habituadas a dar o seu suor para oferecer ao mundo a alegria de saborear um néctar maravilhoso.

 

Pe. Luciano Augusto Moreira, in Voz de Lamego, ano 95/19, n.º 4796, de 26 de março de 2025

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