No passado Domingo, primeiro dia de março e conforme anunciado, numa tarde soalheira, decorreu a sessão de apresentação do novo livro do pe. João Carlos Morgado, Vigário Geral da Diocese, sobre a figura sobejamente conhecida de Monsenhor Ilídio Fernandes.
O salão nobre o Município de Lamego foi pequeno para albergar quantos quiseram (e puderam) marcar presença, fosse pela personagem retratada no livro, com amigos e colaboradores seus ao longos dos anos, fosse pela amizade e proximidade ao autor desta monografia. Presidiu à sessão, o Eng. Francisco Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Lamego, tendo a ladeá-lo o Vigário Geral, monsenhor Pe. Joaquim Dias Rebelo, o Vigário Geral e autor do livro, Pe. João Carlos, e Pe. Manuel Leal, cónego capitular e responsável do Centro Diocesano de Promoção Social, atual sucessor de Mons. Ilídio nesta instituição.
A primeira intervenção coube ao Presidente da edilidade que felicitou o autor de livro, cumprimentando as instituições ligadas ao Monsenhor Ilídio e às muitas pessoas presentes, nomeadamente os sacerdotes. Não o tendo conhecido, o Eng. Francisco Lopes sublinhou a proximidade a monsenhor pelo empreendedorismo a favor da cidade e da região, pela obra realizada e por esta busca de melhorar a vida das pessoas e da cidade.
Depois de atuar no início da apresentação, o coro da Universidade Sénior Jerónimo de Sousa, brindou-nos com mais algumas canções predispondo-nos a acompanhar as demais intervenções. Intervieram pessoas ligadas a Monsenhor Ilídio e que com ele conviveram ou colaboraram ao longo do tempo, em diversos setores, desde logo como pároco da Penajóia, onde o Monsenhor procurou cuidar da vida espiritual dos seus paroquianos e levando a cabo também a construção da Igreja, em Molães, dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Na escola de formação social, a proximidade e o cuidado na formação pessoas, numa instituição que abrangeu várias faixas etárias, crianças, jovens, idosos, e o intercâmbio com instituições estrangeiras, permitindo aprender e aprimorar, por exemplo, a área da agricultura.
Ao Pe. Aniceto Morgado coube sublinhar a preocupação pelas vocações. Se a vertente das obras físicas é por demais sublinhada, não menos a dimensão espiritual, bastando pensar que foi Monsenhor que trouxe as irmãs dominicanas de clausura, que levou à construção do Mosteiro que se encontra um pouco mais acima do Santuário dos Remédios, mas também as Irmãs camilianas, para assumirem o Lar (das Lareiras).
A professora Isolina Guerra, mais do que falar de Monsenhor Ilídio, presenteou-nos com uma oração/poema em honra de Nossa Senhora, da autoria do homenageado.
O Pe. Manuel Leal, cónego capitular, coube agradecer a todos quantos estiveram envolvidos na construção das várias valências do Centro Diocesano de Promoção Social, a diretores anteriores e a todos os colaboradores, antigos e atuais e alguns dos quais ainda do tempo em que Mons. Ilídio era o diretor. Agradeceu também à Câmara, na pessoa do seu Presidente, pela ajuda prestada ao longo do tempo, particularmente quanto foi necessário legalizar edifícios e propriedades. Tal como o Pe. Aniceto, também o Pe. Manuel Leal contou algumas das histórias que envolviam o monsenhor Ilídio Fernandes, mormente o facto de se “atirar de cabeça” nos projetos e envolvendo outros nesses seus sonhos.
Para concluir a sessão de apresentação do livro, o seu autor, Pe. João Carlos, Cónego capitular e Vigário Geral, que também agradeceu a presença de todos, pessoas e instituições, sublinhando em particular as senhoras que foram o motivo desta homenagem em livro a Monsenhor Ilídio Fernandes. As várias intervenções nesta sessão enriqueceram ainda mais quanto ficou escrito nesta obra. Monsenhor Ilídio trouxe a Lamego gente conhecida, da política e da cultura, entre os quais o Pe. João destaca a conferência do Secretário pessoal de Robert Schuman, arquiteto da CEE, atual União Europeia. Schuman era um cristão empenhado e esclarecido, cujo propósito subjacente era precisamente construir uma “comunidade” onde os valores cristãos estavam presentes, tais como a entreajuda e solidariedade entre nações. O pe. João Carlos deixou claro que o Monsenhor Ilídio era também um homem muito espiritual e era a sua fé, a sua espiritualidade, que o tornava destemido na persecução dos vários projetos.
Fica o convite à leitura desta obra, na certeza que Monsenhor Ilídio, sendo uma referência na cidade, com as obras que deixou, seja também um incentivo ao sonho e ao compromisso de formar pessoas comprometidas na construção de uma sociedade mais justa e mais próspera, o que passa pelas instituições, mas primeiramente por cada pessoa.
in Voz de Lamego, ano 96/15, n.º 4840, de 4 de março de 2026
Fotos: Sara Vingadas (CML)



