Previous Next

Festa de Nossa Senhora dos Remédios

O dia 8 de setembro consagra a data mais importante para a cidade de Lamego, e também para a região, numa referência nacional, sendo também uma das 7 Maravilhas de Portugal da Cultura Popular. No âmbito religioso, neste dia teríamos a celebração solene da Eucaristia e, durante tarde, a majestosa Procissão. Em tempos de pandemia, o centro é a Eucaristia. Momento importante é a novena preparatória que continua a levar, manhã cedo, muitos devotos para a recitação do Terço, a Eucaristia, a pregação.
Em jeito de partilha, pequenos apontamentos de Sónia Teixeira, a quem agradecemos estas pequenas meditações diárias:

1.º dia: Aconchegados sempre com e por Maria.
Uma prece pela União, Fraternidade e Amor. / Sintamos o Amor que Ela nos acena. Tenhamos a Esperança que no sofrimento serena. / Procuremos sempre Perdão na vida terrena.

2.º dia: Junto a Maria, apelamos o desconfinamento da Paz e Alegria / Uma prece pela Comunhão, Conversão e Apoio. / Possamos sentir o Seu calor que derrete o gelo no coração. Transformemos a solidão dos outros em união. Possibilitemos o conforto em forma de gratidão.

3.º dia: A Maria e a Jesus oferecemos a nossa verdade.
Uma prece pela Conversão e Apoio em especial aos doentes. / Que a amizade seja para o próximo a nossa maior virtuosidade. Façamos parte do medicamento para o total arrependimento. Transformemos a esperança numa bem-aventurança.

4.º dia: Para existir oração só necessitamos de um canal de comunicação.
Esse meio é o nosso coração. / Uma prece pela união na conversão. / Ao recitar o Rosário diariamente dar-nos-emos conta da diferença dos mistérios. / Às quintas-feiras, mistérios Luminosos, clamam a nossa atenção para a conversão na luz de Jesus. / Estejamos sempre com Maria na tristeza e alegria. Procuremos a luz do Senhor que conforta sempre a dor.

5.º dia: Uma prece pela Esperança e Fé.
Não havendo um abraço físico que é dado individualmente, há o Seu olhar que nos abraça a todos. Um olhar que nos entrelaça e nos faz entregar a e adorar Seu Filho, Jesus. / Sigamos com humildade pelos caminhos da verdade. / Aprendamos a escutar com o coração que melhor busca o perdão.

6.º dia: Uma prece pela solidariedade.
Nesta manhã de sábado, onde o sol já brilha, pedimos a Nossa Senhora da Luz que nos ajude a viver O Seu Filho, Jesus. / Com os outros sejamos solidários e façamos de nossos caminhos o de missionários.

7.º dia: Uma prece pela participação na Eucaristia.
Reflitamos sobre a Eucaristia e oração do Terço. / Ambos momentos deverão ser meditações sobre o nosso ‘eu’ que se revela no vosso "vós". / O domingo é dia do Senhor, dia de Sua Mãe, façamos que seja um dia de justo pagamento de dívida que temos com todos, com cada um... a dívida de nos unirmos e amarmo-nos como Ele nos amou. Possamos escutar a dor e sofrimento para que os confortemos com sentimento.

8.º dia: Uma prece pela paz e saúde.
A alegria da Mãe contagia-nos com seu amor. / A Sua imagem doce ao alimentar Seu Filho dá-nos o alimento da esperança, de confiança e de amor. / O amor incondicional, aquele que dá força para terminar com a paralisia da perturbação do egoísmo. / ‘Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos’. / Sintamos o sofrimento e dor e confortemos a todos com alento e amor.

9.º Dia: Uma prece pela saúde de todos doentes e conforto dos que deles cuidam.
Nestes dias, durante madrugada, subimos a Sua casa, pedimos e demos graças. / As vozes trémulas, as lágrimas corridas, os rostos escondidos procuraram confortar-se com o Seu olhar de Mãe. / Aquela que cuida e protege. / Aquela que apazigua, conforta e consola o nosso coração.
A novena da dor que é amor. / A novena da saudade da presença na ausência. / A novena da Fé que é confiança na esperança”.

Chegado ao dia solene da Festa, a celebração da Eucaristia presidida pelo nosso Bispo, D. António Couto. A Igreja encheu-se de peregrinos, bem como o adro, segundo as orientações da DGS. Na saudação inicial, o Pe. João António, cónego do cabido da Sé e Reitor do Santuário, saudou os peregrinos, lembrou os doentes e as orações feitas também pela sua mãe, lembrando que agora, depois do falecimento da Sra. Cristina Lopes, aos 101 anos, é a decana dos peregrinos.

Ao iniciar a homilia, o Sr. Bispo, D. António, saudou o Reitor, o Diácono, os Sacerdotes e as religiosas, as autoridades, os doentes e os presos, para logo depois sublinhar que a cidade celebra a solenidade de Nossa Senhora dos Remédios, Mãe que vela pelos Seus filhos. Mais uma vez, devido à pandemia, a Mãe fica em casa, onde acorrem crianças e velhinhos, ricos e pobres, sãos e doentes para tocar na orla do manto de Nossa Senhora dos Remédios, porque Deus está com Ela. É um sinal que temos de ler. É um sinal persuasivo. Ela fica em casa porque vela pelo nosso bem-estar, pela nossa saúde.

“Pressinto que os tempos que aí vêm vão continuar a ser difíceis”. Este vírus já desfez previsões e parece que resiste às vacinas. “Rezai e ensinai a rezar… enchei o tempo de paz e de oração, enchei todas as horas de Deus e de amor”. Não vos agarreis apenas ao que reluz mas não é ouro, agarrai-vos a Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade de Lamego.

Depois da comunhão, um momento emocionante: o Pe. José Guedes (Monsenhor e Pároco de Almacave) entoou, em latim, a Avé-Maria, elevando para Maria o louvor e as preces.

Antes da bênção final, o Sr. Reitor sensibilizou para os cuidados na saída da Igreja, mas também com alguma celeridade, para que outros peregrinos possam entrar e saudar Nossa Senhora dos Remédios, cuja imagem está belamente adornada no interior do templo. Da cidade e do país, ao encontro de Maria, para agradecer e para se encher de paz, renovando a esperança de que aqui venhamos em outras ocasiões.

Nossa Senhora dos Remédios, rogai por nós.

 

in Voz de Lamego, ano 91/41, n.º 4623, 8 de setembro de 2021