No cumprimento do Plano Pastoral Diocesano e na sequência de uma solicitação apresentada, realizou-se no passado dia 17 de janeiro, no Auditório Municipal de Resende, pelas 9h30, uma ação de formação de catequistas do arciprestado de Cinfães/Resende, promovida pelo Departamento Diocesano de Catequese, integrado na Comissão Diocesana para a Educação Cristã e Doutrina da Fé.
A iniciativa contou com a presença de algumas dezenas de catequistas, provenientes das paróquias de Anreade, Cárquere, Cinfães, Felgueiras, Gralheira, Oliveira do Douro, Paus, Ramires, Resende, São Cristóvão de Nogueira, São Martinho de Mouros, São Tiago de Piães, entre outras. O momento inicial foi marcado pelo acolhimento e por uma dinâmica de encontro, acompanhada por um cântico, simbolicamente expressa na proposta de que cada paróquia fosse convidada a “entrar na Olaria de Deus”, deixando-se moldar pelas Suas mãos.
A formação iniciou-se com a Oração da Manhã, centrada na mensagem: “Deus é amor, atreve-te a viver por amor. Deus é amor, nada há a temer”, criando um clima de recolhimento, escuta e disponibilidade interior.
Seguidamente, após a Oração do Catequista, a equipa formadora, constituída por Susana Matias, Daniela Pereira, João Borges e Cátia Carneiro, apresentou o modo de desenvolvimento da formação, partindo da proposta “Fazer diferente”, estruturando cada itinerário catequético em quatro sessões distintas.
Na primeira sessão, a catequese em sala foi apresentada através de metodologias ativas e lúdicas, como jogos de palavras, exemplificados pelo jogo da forca. A partir de dois conjuntos de palavras — fidelidade, compromisso, dádiva, originando AMAR, e egoísmo, momento, satisfação, interesse, carinho, prazer, originando GOSTAR — os catequistas foram convidados a refletir sobre a diferença entre amar e gostar. Esta dinâmica abriu caminho à proposta catequética da “ousadia de amar a Deus”, partindo da certeza de que todos temos necessidade de ser amados, mas também de amar. Deus ama-nos incondicionalmente, e a catequese é chamada a ajudar os catequizandos a descobrir como podem responder a esse amor. A mensagem de Cristo — “Amai-vos uns aos outros” — foi apresentada como o centro da fé cristã, recordando que fomos criados por amor, em amor e para amar. Daqui nasce também o convite a amar, louvar e celebrar Deus na Eucaristia, ajudando as crianças e jovens a compreender e a viver o Domingo como um dia diferente, encontro com o Senhor ressuscitado.
A segunda sessão centrou-se no esclarecimento de dúvidas e na resposta às questões mais frequentes dos catequizandos, como: Se Deus é amor, porque existem guerras? Foi sublinhada a importância da humildade do catequista, reconhecendo que há perguntas sem resposta imediata, e que o silêncio, a escuta e o acompanhamento também fazem parte do caminho de fé. Cada participante foi ainda convidado a refletir e avaliar os lugares, momentos e pessoas onde descobre mais — ou menos — a presença de Deus na sua vida.
A terceira sessão teve como foco o serviço aos outros, concretizado através de ações de voluntariado. Foi realçada a diversidade possível destas iniciativas e a liberdade dos catequizandos na escolha das mesmas, sempre com a premissa fundamental de que todo o voluntariado implica compromisso, continuidade e responsabilidade.
A quarta e última sessão foi dedicada ao momento de oração, exigindo preparação cuidada e vivência profunda, através da organização do espaço, animação adequada, silêncio, partilha, preces e um momento conclusivo que ajudasse a interiorizar tudo o que foi vivido.
Para encerrar a manhã formativa, foi proposto um momento de convívio, recorrendo às novas tecnologias. Os participantes dividiram-se em grupos e, através da plataforma Kahoot, participaram num quizz interativo preparado pela equipa formadora. De forma dinâmica, divertida e saudavelmente competitiva, este jogo permitiu avaliar conhecimentos e rever conteúdos da educação cristã, incluindo referências à Carta Pastoral do Bispo de Lamego, D. António Couto, “Igreja de Lamego sempre em construção e dedicação”, que orienta o Jubileu Diocesano dos 250 anos da última dedicação da Catedral de Lamego, atualmente em celebração. Houve pódio e vencedores, mas o mais significativo foi, sem dúvida, a energia, o entusiasmo e o envolvimento de todos os participantes.
No final, a equipa formadora deu ainda a conhecer a composição completa da equipa diocesana, justificando a ausência da Adelaide Melo e do Cónego Diamantino Alvaíde, coordenador da Pastoral Diocesana, manifestando total disponibilidade para futuras formações de continuidade, caso se revele necessário.
Os párocos das paróquias cujos catequistas participaram nesta formação manifestam o seu sincero agradecimento aos catequistas, pelo empenho, generosidade e dedicação no exercício deste belo e exigente ministério, ao serviço da transmissão da fé às crianças e aos jovens. Agradecem igualmente à equipa formadora, pela qualidade do encontro, pela clareza das propostas e pelo testemunho de serviço e comunhão eclesial.
Lamenta-se que algumas paróquias não tenham podido aderir a esta ação formativa, desejando-se que, em futuras oportunidades, mais comunidades possam beneficiar destes momentos de encontro e crescimento. Ainda assim, agradece-se a todos os que tornaram possível esta iniciativa, convictos de que a formação permanente dos catequistas é essencial para uma catequese viva, fiel ao Evangelho e atenta aos desafios do tempo presente.
A catequese, enquanto serviço fundamental da Igreja, não é apenas transmissão de conteúdos, mas iniciação à vida cristã, experiência de encontro com Cristo vivo e caminho de maturação na fé. Por isso, investir na formação dos catequistas é investir na evangelização das nossas crianças e jovens, fortalecendo comunidades mais conscientes, participativas e missionárias, para que a Igreja continue, em Lamego, sempre em construção e dedicação.
Diác. Eduardo Pinto, in Voz de Lamego, ano 96/09, n.º 4834, de 21 de janeiro de 2026



